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Relato de Jean Baptiste Debret - Pintor e Historiador, "Viagem pitoresca e histórica ao Brasil", 1831.
Passagem de um rio vadeável
A passagem de um rio é uma das ocorrências perigosas de uma viagem no interior do Brasil e exige do guia toda a solicitude, principalmente quando se atravessam florestas virgens, onde se tem ainda a temer um possível encontro com os índios. Obrigado a percorrer caminhos sempre difíceis, principalmente para bestas carregadas, não pode o guia alcançar a margem escarpada de um rio por entre florestas impraticáveis; deve procurar as ravinas, cujas sinuosidades mais ou menos profundas são, entretanto, obstruídas pelos ramos das árvores ou por troncos caídos.
É preciso que o viajante conheça exatamente o lugar vadeável dos rios que lhe cabe atravessar, para que possa aproveitar as picadas preparadas de antemão. Chegando em baixo, à beira d'água, inicia-se o descarregamento das bagagens e faz-se passar uma das bestas mais acostumadas para reconhecer o vau, tomando logo depois o cavaleiro amesma direção. Este, como uma sentinela, espera do outro lado a chegada dos escravos, que transportam as bagagens amontoadas em padiolas carregadas à cabeça; os guias a cavalo os acompanham. Tudo transportado para a outra margem e guardado por homens armados, transportam-se os animais em fila uns atrás dos outros, e os senhores, escoltados por seus escravos, fecham a marcha. Basta em seguida tornar a carregar os animais e continuar a viagem.
A cena se passa no Jaguari Catu, na província de Curitiba. Entretanto, os outros rios que atravessam os imensos campos dessa mesma província são tão fáceis de atravessar, que o guaúcho e o tropeiro, encarregados de conduzir a seu destino certo número de bovinos, efetuam a passagem do riosem outra precaução a não ser a de seguir na frente para indicar o vau ao rebanho que o acompanha.
O gaúcho é cavaleiro nômade, habituado a montar cavalos semi-selvagens e que viaja acompanhado de sua família. Por isso, vemo-lo nessa circunstância seguido de sua mulher, montada à homem e amamentando o filho; as outras crianças menores, penduradas como macacos à crina do cavalo, vão escoltadas pelos irmãos maiores, já melhores cavaleiros. Desse modo constitui-se a intrépida escolta do chefe desta expedição.
Outros Relatos:
:: Relato do Brigadeiro José Custódio de Sá e Faria.
:: Relato de Auguste de Saint`Hilaire.
:: Relato do Barão de Antonina.
:: Ordens de José Carlos Pereira de Almeida Torres.
:: Relato de Jean Baptiste Debret. (I)
:: Relato de Jean Baptiste Debret. (II)
:: Relato de Jean Baptiste Debret. (III)
:: Relato de Francisco Antonio de Oliveira.
:: Relato de Antônio Vieira dos Santos.
:: Relato de Antonio Ribeiro de Macedo.
:: Relato de Henrique de Beaurepaire Rohan.
:: Relato de Diogo Pinto de Azevedo Portugal.
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